Sobre o perdão

Cada momento de nossa vida é importante, é uma chance a mais a cada instante, é uma oportunidade de nos situarmos na história como quem se vê relevante para Deus e para o seu semelhante. Temos a possibilidade de conhecer e interagir com toda a criação e encontrar sentido em nossa existência. Porém, existem problemas que vem sempre ao nosso caminho como pedras ou buracos, além de outros obstáculos e nos cobram uma habilidade, a habilidade de desviar-se e continuar a caminhada. O perdão é uma dessas habilidades.

A origem do perdão é divina.

No evangelho de Mateus 18: 21-35 Jesus ensina algo precioso ao ser questionado a respeito da medida do perdão, “Quantas vezes devo perdoar ao meu irmão, sete vezes”? Jesus a fim de afirmar o seu valor, matematicamente responde: “não sete vezes, mas setenta vezes sete”.

A parábola apresentada nos mostra o critério do perdão, ou seja, o perdão tem sua base no perdão. Na oração do ‘pai nosso’ temos: “perdoa as nossas dívidas assim como perdoamos nossos devedores”. O rei que perdoa seu devedor o faz sabendo que tal dívida era impagável. Então simplesmente cancela a dívida e a decreta como saldada. Por sua vez o ex-devedor não quer, ou acredita estar no direito de manter sua posição de cobrador. Logo, é lançado no cárcere também, como o que lhe devia. Duas pessoas poderiam estar livres, mas, por causa de uma que não reproduziu a boa ação, ambas sofrem. A falta de perdão gera uma corrente negativa, de condenação mútua.

Podemos inferir que o rei nesta parábola é Deus, aquele que perdoa uma dívida imensa, assim como em Cristo, perdoou nossos pecados, portanto, espera e exige que seu exemplo seja seguido, o perdão tem sua base no perdão divino.

O que é perdoar? Perdoar não é se esquecer da ofensa, mas, lembrar sem se ressentir. É como uma cicatriz, já foi uma ferida, doeu, mas, agora é somente uma marca, não dói mais.

Porque perdoar?

Para obter um coração perdoador precisamos sempre ter em mente que formos perdoados de uma dívida tal que não poderíamos escapar da condenação. Sendo assim, aquele que perdoa é consciente de seu dever e sua ação misericordiosa é um reflexo do caráter divino que nele agora atua. Perdoar alguém é se alinhar com o propósito de Deus, pois o perdão gera um bom constrangimento no perdoado para que assim o faça a outros, é uma corrente do bem.

Uma dívida perdoada para um coração contrito é um alívio maravilhoso e marcante. O perdoado não pode simplesmente pensar que está em lucro, pois agora livre de sua dívida não pode visar o que tem em haver com seus devedores, este é o engano da religiosidade. Ao contrário, o alívio e prova de tamanha graça deve ser extensivo aos outros.

Perdoar é derrubar uma barreira que se interpõe entre nós e nosso semelhante, nosso irmão, irmã, pai, mãe, filhos, cônjuges. Em termos de relacionamento interpessoal, é deixar a porta sempre aberta, pois quem perdoa não teme o mal.

Perdoar não é um ato de fraqueza. Pode parecer que perdoar é uma demonstração de fraqueza, pois somos levados a pensar que não temos convicção a respeito de nossa dignidade, e nem do tamanho do prejuízo que nos foi produzido. Ora, Deus é santo e digno, e nos perdoou. Somente quem tem convicção dos efeitos dessa atitude é capacitado para reproduzi-la. Perdão não é atitude de gente tola, mas, de quem confia na justiça de Deus. Perdoar é um ato de fé operante. Perdoar é praticar o ensino de Cristo.

Perdoar também é compreender as próprias limitações.

Perdoar a si mesmo, sabendo que somos fracos é uma realidade. Existem pessoas que dizem: “como fui injusto, não consigo me perdoar”, “sei que Deus me perdoa, mas eu não”. Essa atitude parece ser bonita e de cheia de sinceridade, mas, ela esconde um grande erro. Quando alguém diz isso está inconscientemente querendo ser melhor que Deus. Ora, se Deus nos perdoa, por que não nos perdoaríamos? Se não perdoamos a nós mesmos teremos dificuldades para perdoar aos outros.

Quem precisa de perdão? Quem é a vítima ou o acusado? A resposta é: ambos.

Para podermos perdoar, necessitamos deixar a vitimização. Isto é, agarrar-se ao direito de vítima. A vitimização é um grande problema para os ofendidos. Por exemplo: pessoas que foram traídas por seus cônjuges assumem uma atitude insensata consigo mesmas. Podem estar dizendo ao mundo que o seu sofrimento lhes dá o direito de agir irresponsavelmente, pois grande é a sua decepção. Vitimar-se é abusar do direito.

Podemos aplicar este exemplo para outros casos também. Existem situações em que claramente estamos com a razão, mas, não podemos abusar dela. Um irmão pode cometer uma ação injusta conosco. Ora, nos cabe imediatamente uma postura cristã de perdão, e não de exploração da situação. É muito difícil nestas situações balancear as coisas, mas, graças a Deus que Ele é um justo juiz e também onisciente, logo o coração de quem não perdoa é conhecido pelo Senhor que o criou.

Perdoar não é uma ação fácil, ela exige fé, convicção e coragem. É despojar-se de si mesmo, é assumir-se como um miserável e devedor, carente e destituído da glória de Deus. Perdoar é uma ação própria dos filhos de Deus. É cabível aos que creem em Cristo. Quem perdoa valoriza a vida e demonstra amor ao próximo. Quem perdoa se identifica com Deus e com Cristo, dá testemunho verdadeiro, mostra que conhece a Deus e seu amor. Quem perdoa fica livre e leve de consciência, pois está agindo corretamente, portanto, pode desfrutar de uma vida melhor.

Pr. Denilson Crepaldi Lisboa

1 comentário em “Sobre o perdão”

  1. Olá Povo da Batista, me chamo GABRIEL TINOCO ROCHA, tenho 27 anos, sou do RJ, não nos conhecemos pessoalmente, mais venho pedir que compartilhem com toda congregação para colaborarem em oração por minha família (Família Tinoco) e por mim, para que eu tenha saúde e possa resistir os PRÍNCIPES DAS TREVAS e os dias maus em Jesus.

    “Orai sem cessar”

    Att. Gabriel Tinoco Rocha

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